# Storytelling com dados

> O que fazer depois que o gráfico está certo: entender a audiência e a decisão, escolher a mensagem única que o material defende, dar contexto ao número, e apresentar de forma que a conclusão apareça antes da metodologia.

Fonte: https://lumarys.com.br/trilhas/engenharia-de-analytics/dataviz/storytelling-com-dados/ · Lumarys (marca da Cernyn) · CC BY-NC-SA 4.0

## Em uma frase

Depois que o gráfico está correto, o trabalho é de **narrativa**: uma
audiência, uma decisão, **uma mensagem** — e a conclusão vem antes do método.

## As três perguntas antes de abrir a ferramenta

<Passos itens={[
  "Quem é a audiência? Diretoria, time técnico, área de negócio — cada uma precisa de um nível de detalhe diferente.",
  "Que decisão ela precisa tomar? Se não há decisão, o material é informativo e pode ser bem mais curto.",
  "Qual é a mensagem única? Uma frase. Se você não consegue escrevê-la, o material ainda não está pronto."
]} />

<Callout tipo="atencao" titulo="A ordem da análise não é a ordem da apresentação">
Você fez: dados, tratamento, exploração, achado. Você apresenta: **achado,
consequência, evidência, método**. Começar pela fonte e pelo tratamento
constrói credibilidade com quem já confia em você, e gasta os minutos que
importavam.
</Callout>

## Contexto transforma número em informação

"A inadimplência é 4,1%" não sustenta decisão nenhuma. As comparações que
transformam o mesmo número em informação:

<Comparativo
  colunas={["Referência", "O que ela responde"]}
  linhas={[
    ["Período anterior", "Está melhorando ou piorando?"],
    ["Meta", "Estamos onde deveríamos?"],
    ["Mercado ou concorrente", "É problema nosso ou do setor?"],
    ["Resto da carteira", "Onde está concentrado?"]
  ]}
/>

A quarta é a que mais muda a conversa: se 70% do aumento vem de uma safra ou
de um canal, o assunto deixa de ser "inadimplência" e passa a ser aquela
safra.

## Precisão é sobre a decisão

4,13857% e 4,1% levam à mesma ação. A casa extra consome atenção sem mudar
nada — e atenção é o recurso escasso da sala. Escolha a precisão pela decisão
que o número sustenta.

<Callout tipo="dica" titulo="O título faz metade do trabalho">
"Inadimplência por mês" rotula. **"Inadimplência sobe pelo terceiro mês e
supera a meta"** comunica, e transforma o gráfico em evidência do que o título
afirma. É a mudança mais barata que existe num material.
</Callout>

## Terminar no problema é entregar pela metade

Apresentar o achado e parar transfere para quem ouve um trabalho que era seu:
dizer o que os dados sugerem fazer. A recomendação não precisa ser definitiva —
pode ser "investigar a safra X" ou "revisar a política para o canal Y" — mas
precisa existir.

E a incerteza vai junto: **o que a análise não cobre, que premissa foi
assumida, qual o corte do dado**. Esconder limitação parece fortalecer o
argumento e destrói a credibilidade quando alguém a descobre depois.

## Mesmo achado, públicos diferentes

<Comparativo
  colunas={["", "Diretoria", "Time técnico"]}
  linhas={[
    ["Abre com", "Consequência e decisão", "Achado e recorte"],
    ["Precisão", "A que sustenta a decisão", "A real"],
    ["Vocabulário", "Do negócio", "Técnico"],
    ["Volume", "Um gráfico, uma mensagem", "Detalhe é o produto"],
    ["O que não muda", "A conclusão e a declaração de incerteza", "A conclusão e a declaração de incerteza"]
  ]}
/>

## Como responder isso em voz alta

Conte a estrutura: **conclusão, contexto, concentração, recomendação**, com
método em anexo. Cite a declaração de incerteza como parte do material, não
como fraqueza. E, se lhe derem cinco minutos na pergunta, use quatro nesses
quatro passos — a própria resposta vira a demonstração.
